![]() |
| Crédito da imagem: diariodeumadiretora.blogspot.com.br |
"O artista é o criador de coisas belas. Revelar a
arte e ocultar o artista é o objectivo da arte. O crítico é aquele que sabe
traduzir de outra maneira ou com material diferente a sua impressão das coisas
belas. A mais alta, assim como a mais baixa, forma de crítica é uma
autobiografia. Aqueles que encontram feias significações nas coisas belas são
corruptos sem serem encantadores. É um defeito. Aqueles que encontram belas
significações nas coisas belas são cultos. Para esses há esperança. São os
eleitos aqueles para quem as coisas belas apenas significam Beleza. Não há
livros morais nem imorais. Os livros são bem ou mal escritos. Nada mais. A antipatia
do século XIX pelo Realismo é a raiva de Caliban ao ver a sua cara no espelho.
A antipatia do século XIX pelo Romantismo é a raiva de Caliban por não ver a
sua cara no espelho. A vida moral do homem faz parte do assunto do artista, mas
a moralidade da arte consiste no uso perfeito dum meio imperfeito. Nenhum
artista deseja provar o que quer que seja. Até as coisas verdadeiras se podem
provar. Nenhum artista tem simpatias éticas. Uma simpatia ética num artista é
um imperdoável maneirismo de estilo. O artista nunca é mórbido. O artista pode
exprimir tudo. O pensamento e a linguagem são para o artista instrumento de
arte. O vício e a virtude são para o artista materiais de arte. Sob o ponto de
vista da forma, o tipo de todas as artes é a arte do músico. Sob o ponto de
vista do sentimento, o tipo é a profissão do actor. Toda a arte é ao mesmo
tempo superfície e símbolo. Aqueles que descem além da superfície fazem-no com
risco seu. O mesmo sucede àqueles que lêem o símbolo. É o espectador, e não a
vida, que a arte realmente reflecte. A diversidade de opiniões sobre uma obra
de arte mostra que a obra é nova, complexa e vital. Quando os críticos
divergem, o artista está de acordo consigo mesmo."
Oscar Wilde – Prefácio de "O retrato de Dorian
Gray". O retrato de Dorian Gray. Tradução de Lígia Junqueira. 2. ed. Rio
de Janeiro: BestBolso, 2012. p.5
Oscar Wilde – Prefácio de "O retrato de Dorian Gray". O retrato de Dorian Gray. Tradução de Lígia Junqueira. 2. ed. Rio de Janeiro: BestBolso, 2012. p.5
