sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Citações favoritas - O retrato de Dorian Gray



Estas são as minhas citações favoritas do livro O retrato de Dorian Gray, que foram salvas originalmente na minha conta do Skoob em 2010, quando li a versão da L&PM Pocket.

O retrato de Dorian Gray - edição L&PM Pocket


"Pois a beleza não fora senão uma máscara, e a juventude uma zombaria." (p.241)

"(...) o que mais o preocupava era a morte em vida da própria alma." (p. 241)

"A arte não tem qualquer influência sobre a ação. É estéril, em sua soberba. Os livros que o mundo chama de imorais são livros que mostram ao mundo a própria vergonha." (p. 238)

"A vida é uma questão de nervos, fibras, de células, construídas aos pouquinhos, em que o pensamento se esconde e a paixão sonha." (p. 237)

97% (236 de 244)

"É um absurdo dizer que a juventude é ignorante." (p. 236)

"A tragédia da velhice não é a existência do velho, mas sim, a existência do jovem." (p. 236)

"Pensei em ir dizer ao profeta que arte possui alma, mas o homem não. Receio, entretanto, que ele não me iria compreender." (p. 235)

"As coisas de que temos certeza absoluta jamais são verdadeiras. É esta a fatalidade da fé, a lição do romance." (p. 235)

"- Quando um homem trata a vida com arte, o cérebro é o próprio coração." (p. 234)

"– Por falar nisso, Dorian, “qual a vantagem de um homem em conquistar o mundo inteiro e perder” – como é mesmo a citação? – “a própria alma”?" (p. 234)

"Não devemos fazer nada sobre que não possamos conversar depois do jantar." (p. 233)

"Todo crime é vulgar, assim como toda vulgaridade é crime." (p. 232)

"Qualquer um pode ser bom no campo; não tentações. Eis o motivo por que as pessoas que vivem fora da cidade são tão pouco civilizadas. A civilização não é, de maneira alguma, coisa fácil de se atingir, e há apenas duas maneiras por que o homem é capaz de alcançá-la. Uma delas, sendo culto, e a outra, sendo corrupto. Como as pessoas do campo não tem a oportunidade de ser nem um coisa nem outra, estagnam." (p. 229)

"- Sabê-lo seria fatal. O encanto está na incerteza. A bruma torna as coisas maravilhosas." (p. 225)

  Gosto muito da Duquesa, mas não a amo. 
– E a Duquesa o amo muito, mas não gosta tanto. Portanto, uma combinação excelente." (p. 223)

"– A base de todo escândalo é uma certeza imoral." (p. 223)

"- Neste mundo, Dorian, a única coisa horrível é o tédio. Eis o único pecado para o qual não há perdão." (p.222)

"Você tem, do mundo, tudo o que um homem pode querer. Não há um só que não queira trocar de lugar com você. – E não há um só com quem eu não trocaria de lugar Harry." (p.222)

"Não sinto pavor da morte, o que me aterroriza é a aproximação da morte." (p. 222)

"(...) doente, com um medo alucinado da morte e, ao mesmo tempo, indiferente à vida." (p. 218)

"A vida real era sempre um caos, mas havia, na imaginação, algo de uma lógica terrível." (p. 218)

"No mundo ordinário do fato, os maus não eram punidos, e nem os bons recompensados. O sucesso era lançado sobre os fortes, e o fracasso, sobre os fracos." (p. 218)

"-Descreva o nosso sexo – veio o desafio. - Esfinges sem segredos." (p. 217)

"- A arte romântica começa pelo clímax."(p. 217)

"- Que crianças queimadas gostam de fogo." (p. 216)

"Quem quer ser popular, tem que ser uma mediocridade." (p. 215)

"Nós mulheres, como alguém já disse, amamos com nossos ouvidos, assim como vocês homens, amam com os olhos. Isto é, se é que amam." (p. 215)

"– Eu jamais procurei a felicidade. De que vale a felicidade? De minha parte, sempre procurei o prazer." (p. 215)

"Definir é limitar" (p. 214)

"É a triste realidade, perdemos a faculdade de darmos nomes bonitos às coisas. Os nomes são palavras. Por este motivo odeio o realismo vulgar na literatura. O homem que consegue chamar a espada de espada deveria ser compelido a usá-la, pois, para isto, apenas isto, que serve." (p. 212)

"- Eu anuncio as verdades do amanhã. - Pois eu prefiro os erros de hoje."  (p. 212)

"- Eu jamais enristo com beleza. - É esse seu erro, Harry, acredite. Você dá excessivo valor à beleza. - Não fale assim. Acredito, admito, que é melhor ser bela do que generosa. Mas, por outro lado, ninguém mais do que eu, está preparado para reconhecer que é melhor ser generoso que feia." (p. 212)

 "- A fealdade, Gladys, é uma das sete virtudes capitais. Você, como uma boa tóri, não deve subestimá-las. A cerveja, a Bíblia e as sete virtudes capitais fazem da Inglaterra o que ela é hoje. - Você, então, não gosta de seu país? - Eu vivo nele."  (p. 212)

"Há momentos, dizem-nos os psicólogos, quando a paixão pelo pecado, ou por aquilo que o mundo chama de pecado, domina de tal maneira uma personalidade, que toda fibra do corpo, e toda célula do cérebro, parece ser instinto com impulsos receosos. Nesses momentos, homens e mulheres perdem a liberdade da vontade. Como autômatos, dirigem-se ao fato terrível. A escolha é-lhes subtraída, e a consciência, morta, ou então, se conseguir viver, vive apenas par dar fascínio à revolta, e encanto à desobediência. Pois todos os pecados, como não se cansam de nos lembrar os teólogos, são pecados da desobediência. Quando, dos céus, cai o espírito maior, a estrela matutina do mal, é como rebelde que cai." (p. 208)

"Cada um vive a própria vida, e paga o preço de viê-la. Em tudo, a única pena é que com freqüência, temos que pagar um preço alto por uma única falta. E, na verdade, estamos sempre a pagar. No trato com o homem, o Destino jamais encerra as contas." (p. 207)

"Não aguento mulheres que amam. Mulheres que odeiam são bem mais interessantes." (p. 206)

"Diz-se que paixão nos faz pensar em círculos." (p. 204)

"(...) e o desejo louco de viver, o mais terrível de todos os apetites do homem, transformou, célebre, em força, todos os nervos e fibras trêmulas." (p. 204)

"A fealdade era a única realidade. O burburinho grosseiro, o antro repugnante, a violência crua da vida desordenada, a vileza íntima do ladrão e do proscrito, eram mais vívidos, com a atualidade intensa da impressão que causam, que todas as formas graciosas de arte, as sombras oníricas da canção." (p. 204)

"Dorian Gray observava a vergonha sórdida da cidade grande e, de vez em quando, repetia as palavras de Lorde Henry no dia em que se conheceram: “Curar a alma por meio dos sentidos, e os sentidos, por meio da alma.” (p. 202)

"- Ele me aborrece demais, quase tanto quanto a aborrece. Ela é muito esperta; para uma mulher, esperta demais. Carece do charme indefinível da fragilidade. É o pedestal de barro que faz precioso o ouro da imagem, e ela embora de pés lindos, não possui pés de barro. Digamos talvez, que ela possui pés de porcelana alva, que já caminharam sobre o fogo. E o que o fogo não destrói, enrijece. Ela tem suas experiências." (p. 199)
06/12/2010
81% (197 de 244)

"- Gosto de homens que tenham futuro, e de mulheres que tenham passado. Ou será que isto ia dar em festinha de criança?" (p. 197)

"Quando a mulher se casa de novo, é porque detestava o marido anterior. E o homem, quando se casa de novo, é porque adorava a última mulher. As mulheres tentam a sorte; os homens arriscam-na.” (p. 196)

“(...) hoje em dia, todos os homens casados vivem como solteiros, e todos os solteiros, como casados." (p. 196)

"Neste país, basta que um homem possua distinção e cérebro para que a língua comum faça dele galhofa. E que tipo de vida levam estas pessoas que posam como moralistas? Meu caro companheiro, você já esqueceu que vivemos na terra natal da hipocrisia? – Dorian! Não é esse o problema. Sei que a Inglaterra é ruim, e que a sociedade inglesa está toda errada. [...] Temos todo o direito de julgar um homem pelo efeito que causa nos amigos, e o efeito que você causa parece desprovido de qualquer sentido de honra, bondade ou pureza. Você os encheu da loucura do prazer, e eles desceram às profundezas." (p. 167)

"O pecado sempre se inscreve no rosto dos homens, impossível escondê-lo." (p. 166)

"Dorian Gray fora envenenado por um livro. Momentos houve em que ele olhara a maldade como um simples modo de poder realizar sua concepção do belo." (p. 163)

"Sentia que as conhecia todas, aquelas figuras terríveis, singulares, que atravessaram o palco do mundo e fizeram do pecado algo tão maravilhoso e, do mal, algo tão cheio de sutiliza. A ele parecia que, de um modo algo misteriosos, aquelas vidas foram sua própria vida." (p. 160)

"A sociedade, ao menos a sociedade civilizada, não está preparada para acreditar em qualquer coisa que venha em detrimento dos que são, ao mesmo tempo, ricos e fascinantes.” (p. 158)

“Pois os cânones da boa sociedade são, ou deveriam ser, os mesmos que os cânones da arte. Para ela, de modo absoluto, a forma é essencial. Ela almeja a dignidade, e também a irrealidade, de uma cerimônia, e a combinação da natureza insincera de uma peça romântica com a sabedoria e a beleza que fazem com que tais peças nos sejam deliciosas. A insinceridade é assim tão terrível? Creio que não. É um simples método por que podemos multiplicar nossas personalidades." (p. 158)

"Estes tesouros, pois, e tudo o que colecionava em sua residência adorável, eram, para ele, meios de esquecimento que poderia escapar, por uma estação, do medo que parecia, a ele, às vezes, grande demais para ser suportado." (p. 156)

"(...) quase entristeceu-se ao refletir sobre a ruína que o tempo trazia às coisas lindas e maravilhosas. Ele, de um jeito ou de outro, conseguira escapar." (p. 153)

"Ainda, como já se dissera dele antes, nenhuma teoria da vida parecia, a ele, importante, quando comparada com a própria vida. Sentia a consciência aguçada de quão estéril é toda a especulação intelectual quando apartada da ação e do experimento. Sabia que os sentidos, não menos que a alma, têm seus mistérios espirituais a revelar." (p. 148)

"(...) pensava na ruína que trouxera á própria alma, com uma pena que, de puro egoísmo, era ainda mais dolorosa. Eram raros, porém, momentos tais. Aquela curiosidade a respeito da vida, nele desperta, pela primeira vez, por Lorde Henry, quando sentados no jardim do amigo comum, parecia aumentar em gratificação. Quanto mais conhecia, tanto mais desejava conhecer. Assolavam-no fontes alucinantes que, à medida que as alimentava, esfaimavam-se ainda mais." [...] o tipo que combinava a cultura real do erudito, com toda a graça, distinção e os modos perfeitos de um cidadão do mundo.” (p. 144)

“Assim como Gautier, Dorian era alguém para quem “existia o mundo visível”. (p. 144)
“E, é claro, a vida em si, para ele, era a primeira, a maior das artes, para a qual todas as demais artes pareciam apenas uma preparação." (p. 144)

"Basil, tê-lo-ia ajudado a resistir à influência de Lorde Henry, e às influências ainda mais venenosas oriundas de seu próprio temperamento." (p. 134)

"A forma e a cor nos dizem da forma e da cor, e só. A mim me parece, com freqüência, que a arte, muito mais do que revelar o artista, o esconde de modo ainda mais categórico." (p. 130)

"Dorian desde o primeiro momento em que o conheci, sua personalidade teve, sobre mim, uma influência extraordinária. Fiquei dominado, alma, cérebro e energia, por você. Para mim, você era a encarnação visível daquele ideal oculto cuja lembrança nos assedia, na os artistas, como um sonho exótico. Idolatrarei você. Senti ciúmes das pessoas com que você falava. Queria tê-lo todo para mim. Sentia-me feliz apenas quando estava com você. E nas vezes em que Steve longe de mim, ainda assim estava presente em minha arte... O que eu sabia, apenas, é que havia deparado, frente a frente, com a perfeição, e que o mundo se havia se transformado, aos meus olhos, num mundo maravilhoso.” (p. 129)

E fora tudo o que deve ser arte: inconsciente, ideal e remota." (p. 129)

"Ser o espectador de nossa própria vida é, como diz Harry, fugir ao sofrimento dela." (p. 125)

"Não fale de coisas horríveis. Se não falarmos delas, deixam de ter acontecido. É a simples expressão, como diz Harry, que dá realidade às coisas." (p. 122)

"Mas quem, que nada sabe da vida, não se entregaria à oportunidade de permanecer sempre jovem, por mais que fosse fantástica a oportunidade, por mais conseqüências fatídicas que carregasse?" (p. 120)

"A partir do momento em que ela tocou a vida real, estragou-a, e a vida a estragou, então ela se foi. (p. 118)

“- A vida tem tudo guardado pra você, Dorian. Não há nada que você, com sua extraordinária beleza, não possa fazer. – Mas suponha, Harry, que eu me torne macilento, velho e enrugado. O que acontecerá? - Então, meu caro Dorian, você teria que lutar por suas vitórias. Como as coisas estão postas, as vitórias vêm a você. Não, você deve conservar sua beleza. Vivemos numa era que, por tanto ler, não pode ser inteligente, e que, por muito pensar, não pode se bela." (p. 118)

"Mas, na verdade, Dorian, Sybil Vane deve ter sido muito diferente de todas estas mulheres que encontramos por aí. (...) Elas nos fazem acreditar na realidade das coisas com que todos temos que jogar, como o romance, a paixão, o amor. - Eu fui muito cruel com ela. Já se esqueceu? - Receio que as mulheres gostem de crueldade, da crueldade sem-cerimônia, mais do que qualquer outra coisa. Possuem instintos primitivos maravilhosos. Nós as emancipamos, mas elas, como escravas, seguem à procura de seus donos. É tudo a mesma coisa. Adoram se dominadas.” (p. 117)

“Ela, na verdade, nunca viveu e, portanto, nunca morreu." (p. 117)

"Além disso, o que mais deixa uma mulher vaidosa é dizer a ela que é uma pecadora." (p. 116)

"Teria feito com que eu amasse o amor pelo resto da minha vida.” (p. 115)

“Certa vez, durante toda uma estação, usei violetas como forma de luto artístico por um romance que não queria morrer. Mas, enfim, morreu, e não me lembro o que o matou." (p. 115)

"Lembro de ouvi-lo dizer, um dia, da fatalidade que envolve as boas decisões; quando as tomamos, já é tarde demais. A minha, na certa, veio tardia."

(p.114)

"- Meu caro Dorian. O único modo por que a mulher consegue reformar um homem é entediando-o ao máximo, até fazê-lo perder todo o interesse na vida. Se você se tivesse casado com esta mulher, estaria desgraçado. Claro, você a trataria bem. Sempre podemos ser generosos para com pessoas a quem não ligamos nem um pouco. E ela logo descobriria sua absoluta indiferença para com ela. E quando a mulher descobre isto a respeito do marido, ou passa a andar esmolambada, ou, ou passa a usa chapéus vistosos, adquiridos por maridos de outras mulheres." (p. 113)

"Matei-a, como se lhe tivesse cortado a garganta com uma faca. E nem por isso as rosas estão menos bonitas. No meu jardim, os pássaros continuam a cantar com a mesma felicidade. E hoje à noite, vou jantar com você, depois irei a Ópera, e depois, creio, irei cear em algum lugar. A vida é mesmo muito dramática! Se eu tivesse lido tudo isto num livro, Harry, acho que teria chorado. Bem, mas agora que a coisa aconteceu de fato, parece, a mim, maravilhosa demais para comportar lágrimas." (p.112)

"Aqui, não devemos debutar com escândalos, devemos reservá-los para chamar a atenção sobre nós, quando envelhecemos" (p.111)

"- Passei mesmo por isto. Mas agora, estou bem feliz. Para começar, já sei o que é a consciência. Não é o que você me disse que era. É a coisa mais divina que temos em nós. Não zombe. Nunca mais, Harry... ao menos, na minha frente. Eu quero ser bom. Não suporto a idéia de possuir uma alma repulsiva.
- Que base artística, muito encantadora, pra a ética Dorian!" (p. 110)

"Uma coisa, porém, ele sentia, o quadro fizera por ele. Fizera-o consciente de quão injusto, quão cruel, fora para com Sibyl Vane. Mas ainda havia tempo para a reparação, e ela ainda poderia ser sua esposa. Aquele amor irreal, egoísta, capitularia diante de alguma influência superior, seria transformado em alguma paixão mais nobre, e o retrato, pintado por Basil Hallward, seria, para ele, por toda a vida, um guia, seria, para ele, o que o sacro é para uns, e a consciência, para outros, e o temor a Deus, para todos nós. Existem opiatos para o remorso, drogas capazes de acalentar ao sono o sentido moral. Eis um símbolo visível de degradação do pecado. Eis um sinal onipresente da ruína que os homens trouxeram para suas almas. (p.109)

“Há, na auto-reprovação, uma certa suntuosidade. Quando nos acusamos, sentimos que ninguém, mais tem o direito de acusar-nos. É a confissão, e não padre, que nos dá a absolvição. Ao terminar a carta, Dorian já se sentia perdoado." (p.109)

"Havia uma conta meio salgada, de um estojo de toucador Luís Quinze, em prata entalhada, que ainda não tivera a coragem de enviar aos tutores, pessoas demasiado antiquadas, incapazes de perceber que vivemos numa era em que as coisas desnecessárias são nossas únicas necessidades” (p.107)

"Logo que se vestiu, foi à biblioteca (...)" (p.107)

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