terça-feira, 6 de agosto de 2013

Rei Lear – William Shakespeare

Confraria filosófica – 04/08/2013

Alguns pontos discutidos no encontro:

1- Edmundo zomba que quem acredita que os astros influenciam na personalidade do homem, ele acredita que seria tão maldoso quanto é mesmo que tivesse nascido na lua mais cândida.

2 – Edmundo diz que a natureza é sua deusa, isto é, a natureza do mais forte, do mais esperto, daquele que pode mais sobre os demais.

3 – A burrice da velhice de Lear, o orgulho e a arrogância de sua personalidade, pois não aceita ser aconselhado por Kent. A credulidade de Gloucester em seu filho bastardo. A falta de desconfiança desses dois pais, que acreditaram serem enganados por seus filhos favoritos (Cordélia e Edgar).

4 – A maldade de Edmundo que se assemelha a outras peças de Shakespeare, como Ricardo III.

5 – A valorização da hipocrisia na corte de Lear, e a ambição sem limites de suas filhas desnaturadas.
 Imagem retirada daqui: http://goo.gl/XQmrHG
6 – Cordélia ao não se pronunciar devidamente como o pai esperava foi teimosa e infantil ou sofreu apenas por sua falta de jeito, inteligência e maturidade para se expressar como convinha? Cordélia não era casada como suas irmãs, era a mais nova e inexperiente, contava apenas com o auxílio de sua ama.

7 – Política, poder e bajulação andam sempre juntos.

8 – Drama pessoal de sucessão hierárquica que todo homem rico e poderoso passa, não apenas o rei Lear, mas também Gloucester.

9 – Presença forte de mulheres gananciosas, inescrupulosas e políticas, as irmãs Goneril e Regana se assemelham a Lady Macbeth. Desejo pelo poder e maldade independem de gênero.

Raul Cortez - Rei Lear (2000)
Imagem retirada daqui: http://goo.gl/9D6O5t
10 – Kent é o herói da trama, pois reúne a bondade e inteligência, Cordélia apesar de bondosa não é esperta o suficiente para reverter a situação de seu pai. Edgar é esperto o suficiente para fugir e se disfarçar quando é caluniado, e salva o pai do suicídio. Por suas qualidades, esperteza e lealdade, apenas Kent e Edgar sobrevivem no fim da trama. Shakespeare contraria a lógica de Edmundo, quem sobrevive em tempos de desgraça não são mais fortes, mas sim os bons e inteligentes.

11- Em “Ética a Nicômaco” Aristóteles dizia que a ética não poderia ser discutida com jovens porque estes não tem experiência de vida suficiente para fazer julgamos de ética. Já em Shakespeare os velhos não sábios, como geralmente se espera, os velhos são cometem erros (Lear) e são enganados (Gloucester).

12 – Lear e o drama de não saber distinguir os afetos verdadeiros, diferenciar os amigos dos inimigos, em qualquer idade isso traz tragédia e desgraça.

13 – Lear quer se livrar da responsabilidade do poder, mas sem abdicar de seus privilégios e prestígios de monarca, mas quando deixa o poder só sobram os afetos verdadeiros (Cordélia, Kent, Gloucester), porém Lear é incapaz de reeguer-se do tombo que causou a si mesmo, a idade avançada e a decepção o levam a loucura.

14 – Na peça acontece a morte dos “pecaminosos” e dos “burros”, pois Lear altera a ordem natural das coisas, quando o rei não é o mais sábio, não há outra solução senão a morte para pôr fim a tragédia, e então haver o recomeço, dando início a um novo ciclo. Quando falta um líder política legítimo e digno é o caos. Edgar e Kent são os sobreviventes para um mundo melhor.

Um comentário:

  1. O resumo do encontro está muito bom sobre o que foi discutido. Incluiria um adendo a respeito do comentário de Patrícia Sanches de uma possível interpretação marxista da obra, onde um rei seria uma ator histórico de sua época, este rei não exercendo o papel que o momento histórico, a ordem, a natureza exigem, neste caso o de concluir até o fim o seu reinado, há então todo um processo, ainda que trágico, para reconstituir esta ordem e um novo rei reiniciar este processo. Recomendo a leitura do texto de Luiz Fernando veríssimo - Heróis e história postado aqui na Confraria:http://confrariafilosofica.blogspot.com.br/2013/08/herois-e-historia.html

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