Confraria filosófica – 04/08/2013
Alguns pontos discutidos
no encontro:
1- Edmundo zomba que quem
acredita que os astros influenciam na personalidade do homem, ele
acredita que seria tão maldoso quanto é mesmo que tivesse nascido
na lua mais cândida.
2 – Edmundo diz que a
natureza é sua deusa, isto é, a natureza do mais forte, do mais
esperto, daquele que pode mais sobre os demais.
3 – A burrice da
velhice de Lear, o orgulho e a arrogância de sua personalidade, pois
não aceita ser aconselhado por Kent. A credulidade de Gloucester em
seu filho bastardo. A falta de desconfiança desses dois pais, que
acreditaram serem enganados por seus filhos favoritos (Cordélia e
Edgar).
4 – A maldade de
Edmundo que se assemelha a outras peças de Shakespeare, como Ricardo
III.
5 – A valorização da
hipocrisia na corte de Lear, e a ambição sem limites de suas filhas
desnaturadas.
6 – Cordélia ao não
se pronunciar devidamente como o pai esperava foi teimosa e infantil
ou sofreu apenas por sua falta de jeito, inteligência e maturidade
para se expressar como convinha? Cordélia não era casada como suas
irmãs, era a mais nova e inexperiente, contava apenas com o auxílio
de sua ama.
7 – Política, poder e
bajulação andam sempre juntos.
8 – Drama pessoal de
sucessão hierárquica que todo homem rico e poderoso passa, não
apenas o rei Lear, mas também Gloucester.
9 – Presença forte de
mulheres gananciosas, inescrupulosas e políticas, as irmãs Goneril
e Regana se assemelham a Lady Macbeth. Desejo pelo poder e maldade
independem de gênero.
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| Raul Cortez - Rei Lear (2000) Imagem retirada daqui: http://goo.gl/9D6O5t |
10 – Kent é o herói
da trama, pois reúne a bondade e inteligência, Cordélia apesar de
bondosa não é esperta o suficiente para reverter a situação de
seu pai. Edgar é esperto o suficiente para fugir e se disfarçar
quando é caluniado, e salva o pai do suicídio. Por suas qualidades,
esperteza e lealdade, apenas Kent e Edgar sobrevivem no fim da trama.
Shakespeare contraria a lógica de Edmundo, quem sobrevive em tempos
de desgraça não são mais fortes, mas sim os bons e inteligentes.
11- Em “Ética a
Nicômaco” Aristóteles dizia que a ética não poderia ser
discutida com jovens porque estes não tem experiência de vida
suficiente para fazer julgamos de ética. Já em Shakespeare os
velhos não sábios, como geralmente se espera, os velhos são
cometem erros (Lear) e são enganados (Gloucester).
12 – Lear e o drama de
não saber distinguir os afetos verdadeiros, diferenciar os amigos
dos inimigos, em qualquer idade isso traz tragédia e desgraça.
13 – Lear quer se
livrar da responsabilidade do poder, mas sem abdicar de seus
privilégios e prestígios de monarca, mas quando deixa o poder só
sobram os afetos verdadeiros (Cordélia, Kent, Gloucester), porém
Lear é incapaz de reeguer-se do tombo que causou a si mesmo, a idade
avançada e a decepção o levam a loucura.
14 – Na peça acontece
a morte dos “pecaminosos” e dos “burros”, pois Lear altera a
ordem natural das coisas, quando o rei não é o mais sábio, não há
outra solução senão a morte para pôr fim a tragédia, e então
haver o recomeço, dando início a um novo ciclo. Quando falta um
líder política legítimo e digno é o caos. Edgar e Kent são os
sobreviventes para um mundo melhor.


O resumo do encontro está muito bom sobre o que foi discutido. Incluiria um adendo a respeito do comentário de Patrícia Sanches de uma possível interpretação marxista da obra, onde um rei seria uma ator histórico de sua época, este rei não exercendo o papel que o momento histórico, a ordem, a natureza exigem, neste caso o de concluir até o fim o seu reinado, há então todo um processo, ainda que trágico, para reconstituir esta ordem e um novo rei reiniciar este processo. Recomendo a leitura do texto de Luiz Fernando veríssimo - Heróis e história postado aqui na Confraria:http://confrariafilosofica.blogspot.com.br/2013/08/herois-e-historia.html
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