
O escravo, o pobre, o feio e a tal felicidade
O romântico: "Dinheiro não traz felicidade".
O cínico: "Mas manda buscar!"
Autonomia - chave para a felicidade
Aristóteles se aproxima mais de Epicuro (341-269 a.C.) do que ao cínico, este também reconhecia a necessidade da autossuficiência, mas em um nível menos exigente de consumo. Epicuro advogava que pão e água é uma excelente refeição, buscava a autossuficiência numa espécie de comunidade alternativa (o Jardim), onde procurava prover de tudo o que fosse minimamente necessário. Para Epicuro "o melhor da autossuficiência é a liberdade".
Nesse contexto, o cínico encontra apoio em Aristóteles em parte:
Para a autossuficiência e a autonomia é só para isto que serve o dinheiro, condições que não são possíveis ao escravo. O dinheiro nos dá autossuficiência para não nos preocuparmos com coisas básicas, como alimentação, mas ser afortunado e, portanto, autônomo financeiramente, não é sair por aí comprando coisas. Nos é caro dizer ao dinheiro - e a todos os prazeres que ele compra - que somos seu dono ou ainda algo do tipo: "Não dependo somente de ti para ser feliz!". Aos duros e desafortunados vai parecer piada por o dinheiro não lhe ser muito familiar. A questão da autonomia vai além do dinheiro em si.
Ter dinheiro e todos os prazeres que este pode proporcionar não é ruim, o ruim é ser dependente e escravo deste e de qualquer prazer. A autonomia apontada por Aristóteles se relaciona à dependência dos prazeres, do apego aos "belos corpos gregos", ao irresistível sorvete de chocolate supreme suíço. Do sexo à gula e a outros prazeres. Seguir o caminho a que nos propusemos e não nos desviarmos dele, recusando os prazeres mais imediatos, exige uma autonomia de espírito, de caráter e de conduta, que não se conquista de imediato. O mal não está em ter desejo, mas em deixar-se ser engolido por ele.
"se palavras bastassem para que nos tornássemos bons, elas teriam com justiça obtido grandes recompensas (...) e deveríamos ter as palavras sempre à disposição".
A virtude do uso dessa razão é o que aproxima o sábio dos deuses.
"As pessoas que usam sua própria razão e a cultivam parecem ter o espírito nas melhores condições e ser mais queridas pelos deuses. De fato, se os deuses se interessam de algum modo pelos assuntos humanos, como geralmente se crê, é razoável imaginar que aquilo que é melhor e tem mais afinidades com eles (isto é, a razão) lhes dê prazer..., e quem estiver nestas condições será provavelmente mais feliz." Sendo assim, o sábio é o homem mais feliz.
Num possível diálogo entre o sábio aristotélico, o romântico e o cínico, ele não concordaria com nenhum dos dois e apontaria o caminho da moderação.
O romântico: Dinheiro não traz felicidade.
O cínico: Mas manda buscar!
O sábio aristotélico: Não manda buscar, a ele não devemos nos escravizar, assim como a todos os prazeres. É um caminho para a autonomia e desta para a felicidade.
O sábio aristotélico: Não manda buscar, a ele não devemos nos escravizar, assim como a todos os prazeres. É um caminho para a autonomia e desta para a felicidade.
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