Estas são as minhas citações favoritas do livro O retrato de Dorian Gray, que foram salvas originalmente na minha conta do Skoob em 2010, quando li a versão da L&PM Pocket.
"Pois a beleza não fora
senão uma máscara, e a juventude uma zombaria." (p.241)
"(...) o que mais o preocupava
era a morte em vida da própria alma." (p. 241)
"A arte não tem qualquer
influência sobre a ação. É estéril, em sua soberba. Os livros que o mundo chama
de imorais são livros que mostram ao mundo a própria vergonha." (p. 238)
"A vida é uma questão de
nervos, fibras, de células, construídas aos pouquinhos, em que o pensamento se
esconde e a paixão sonha." (p. 237)
97% (236 de 244)
"É um absurdo dizer que a
juventude é ignorante." (p. 236)
"A tragédia da velhice não é a existência do velho,
mas sim, a existência do jovem." (p. 236)
"Pensei em ir dizer ao
profeta que arte possui alma, mas o homem não. Receio, entretanto, que ele não
me iria compreender." (p. 235)
"As coisas de que temos certeza absoluta jamais são
verdadeiras. É esta a fatalidade da fé, a lição do romance." (p. 235)
"- Quando um homem trata a vida
com arte, o cérebro é o próprio coração." (p. 234)
"– Por falar nisso, Dorian, “qual
a vantagem de um homem em conquistar o mundo inteiro e perder” – como é mesmo a
citação? – “a própria alma”?" (p. 234)
"Não devemos fazer nada
sobre que não possamos conversar depois do jantar." (p. 233)
"Todo crime é vulgar, assim
como toda vulgaridade é crime." (p. 232)
"Qualquer um pode ser bom
no campo; não tentações. Eis o motivo por que as pessoas que vivem fora da
cidade são tão pouco civilizadas. A civilização não é, de maneira alguma, coisa
fácil de se atingir, e há apenas duas maneiras por que o homem é capaz de
alcançá-la. Uma delas, sendo culto, e a outra, sendo corrupto. Como as pessoas
do campo não tem a oportunidade de ser nem um coisa nem outra, estagnam." (p. 229)
"- Sabê-lo seria fatal. O encanto
está na incerteza. A bruma torna as coisas maravilhosas." (p. 225)
" – Gosto muito da Duquesa,
mas não a amo.
– E a Duquesa o amo muito, mas não gosta tanto. Portanto, uma
combinação excelente." (p. 223)
"– A base de todo escândalo é uma certeza
imoral." (p. 223)
"- Neste mundo, Dorian, a única
coisa horrível é o tédio. Eis o único pecado para o qual não há perdão." (p.222)
"Você tem, do mundo, tudo o que um homem pode querer. Não há um só que não
queira trocar de lugar com você. – E não há um só com quem eu não trocaria de
lugar Harry." (p.222)
"Não sinto pavor da morte, o que me aterroriza é a
aproximação da morte." (p. 222)
"(...) doente, com um medo
alucinado da morte e, ao mesmo tempo, indiferente à vida." (p. 218)
"A vida real era
sempre um caos, mas havia, na imaginação, algo de uma lógica terrível." (p. 218)
"No
mundo ordinário do fato, os maus não eram punidos, e nem os bons recompensados.
O sucesso era lançado sobre os fortes, e o fracasso, sobre os fracos." (p. 218)
"-Descreva o nosso sexo – veio o
desafio. - Esfinges sem segredos." (p. 217)
"- A arte romântica começa pelo
clímax."(p. 217)
"- Que crianças queimadas gostam
de fogo." (p. 216)
"Quem quer ser popular, tem que
ser uma mediocridade." (p. 215)
"Nós mulheres, como alguém já disse, amamos com
nossos ouvidos, assim como vocês homens, amam com os olhos. Isto é, se é que
amam." (p. 215)
"– Eu jamais procurei a felicidade. De que vale a felicidade? De
minha parte, sempre procurei o prazer." (p. 215)
"Definir é limitar" (p. 214)
"É a triste realidade, perdemos a
faculdade de darmos nomes bonitos às coisas. Os nomes são palavras. Por este
motivo odeio o realismo vulgar na literatura. O homem que consegue chamar a
espada de espada deveria ser compelido a usá-la, pois, para isto, apenas isto,
que serve." (p. 212)
"- Eu anuncio as verdades do amanhã. - Pois eu prefiro os erros
de hoje." (p. 212)
"- Eu jamais enristo com beleza. - É esse seu erro, Harry,
acredite. Você dá excessivo valor à beleza. - Não fale assim. Acredito, admito,
que é melhor ser bela do que generosa. Mas, por outro lado, ninguém mais do que
eu, está preparado para reconhecer que é melhor ser generoso que feia." (p. 212)
"-
A fealdade, Gladys, é uma das sete virtudes capitais. Você, como uma boa tóri,
não deve subestimá-las. A cerveja, a Bíblia e as sete virtudes capitais fazem
da Inglaterra o que ela é hoje. - Você, então, não gosta de seu país? - Eu vivo
nele." (p. 212)
"Há momentos, dizem-nos os
psicólogos, quando a paixão pelo pecado, ou por aquilo que o mundo chama de
pecado, domina de tal maneira uma personalidade, que toda fibra do corpo, e
toda célula do cérebro, parece ser instinto com impulsos receosos. Nesses momentos,
homens e mulheres perdem a liberdade da vontade. Como autômatos, dirigem-se ao
fato terrível. A escolha é-lhes subtraída, e a consciência, morta, ou então, se
conseguir viver, vive apenas par dar fascínio à revolta, e encanto à
desobediência. Pois todos os pecados, como não se cansam de nos lembrar os
teólogos, são pecados da desobediência. Quando, dos céus, cai o espírito maior,
a estrela matutina do mal, é como rebelde que cai." (p. 208)
"Cada um vive a própria vida, e
paga o preço de viê-la. Em tudo, a única pena é que com freqüência, temos que
pagar um preço alto por uma única falta. E, na verdade, estamos sempre a pagar.
No trato com o homem, o Destino jamais encerra as contas." (p. 207)
"Não aguento mulheres que amam.
Mulheres que odeiam são bem mais interessantes." (p. 206)
"Diz-se que paixão nos faz pensar
em círculos." (p. 204)
"(...) e o desejo louco de viver, o mais terrível de todos os
apetites do homem, transformou, célebre, em força, todos os nervos e fibras
trêmulas." (p. 204)
"A fealdade era a única realidade. O burburinho grosseiro, o
antro repugnante, a violência crua da vida desordenada, a vileza íntima do
ladrão e do proscrito, eram mais vívidos, com a atualidade intensa da impressão
que causam, que todas as formas graciosas de arte, as sombras oníricas da
canção." (p. 204)
"Dorian Gray observava a vergonha
sórdida da cidade grande e, de vez em quando, repetia as palavras de Lorde
Henry no dia em que se conheceram: “Curar a alma por meio dos sentidos, e os
sentidos, por meio da alma.” (p. 202)
"- Ele me aborrece demais, quase
tanto quanto a aborrece. Ela é muito esperta; para uma mulher, esperta demais.
Carece do charme indefinível da fragilidade. É o pedestal de barro que faz
precioso o ouro da imagem, e ela embora de pés lindos, não possui pés de barro.
Digamos talvez, que ela possui pés de porcelana alva, que já caminharam sobre o
fogo. E o que o fogo não destrói, enrijece. Ela tem suas experiências." (p. 199)
06/12/2010
81% (197 de 244)
"- Gosto de homens que tenham
futuro, e de mulheres que tenham passado. Ou será que isto ia dar em festinha
de criança?" (p. 197)
"Quando a mulher se casa de novo,
é porque detestava o marido anterior. E o homem, quando se casa de novo, é
porque adorava a última mulher. As mulheres tentam a sorte; os homens
arriscam-na.” (p. 196)
“(...) hoje em
dia, todos os homens casados vivem como solteiros, e todos os solteiros, como
casados." (p. 196)
"Neste país, basta que um homem
possua distinção e cérebro para que a língua comum faça dele galhofa. E que
tipo de vida levam estas pessoas que posam como moralistas? Meu caro
companheiro, você já esqueceu que vivemos na terra natal da hipocrisia? –
Dorian! Não é esse o problema. Sei que a Inglaterra é ruim, e que a sociedade
inglesa está toda errada. [...] Temos todo o direito de julgar um homem pelo
efeito que causa nos amigos, e o efeito que você causa parece desprovido de
qualquer sentido de honra, bondade ou pureza. Você os encheu da loucura do
prazer, e eles desceram às profundezas." (p. 167)
"O pecado sempre se inscreve no
rosto dos homens, impossível escondê-lo." (p. 166)
"Dorian Gray fora envenenado por
um livro. Momentos houve em que ele olhara a maldade como um simples modo de
poder realizar sua concepção do belo." (p. 163)
"Sentia que as conhecia todas,
aquelas figuras terríveis, singulares, que atravessaram o palco do mundo e
fizeram do pecado algo tão maravilhoso e, do mal, algo tão cheio de sutiliza. A
ele parecia que, de um modo algo misteriosos, aquelas vidas foram sua própria
vida." (p. 160)
"A sociedade, ao menos a
sociedade civilizada, não está preparada para acreditar em qualquer coisa que
venha em detrimento dos que são, ao mesmo tempo, ricos e fascinantes.” (p. 158)
“Pois os
cânones da boa sociedade são, ou deveriam ser, os mesmos que os cânones da
arte. Para ela, de modo absoluto, a forma é essencial. Ela almeja a dignidade,
e também a irrealidade, de uma cerimônia, e a combinação da natureza insincera
de uma peça romântica com a sabedoria e a beleza que fazem com que tais peças
nos sejam deliciosas. A insinceridade é assim tão terrível? Creio que não. É um
simples método por que podemos multiplicar nossas personalidades." (p.
158)
"Estes tesouros, pois, e tudo o
que colecionava em sua residência adorável, eram, para ele, meios de
esquecimento que poderia escapar, por uma estação, do medo que parecia, a ele,
às vezes, grande demais para ser suportado." (p. 156)
"(...) quase entristeceu-se ao
refletir sobre a ruína que o tempo trazia às coisas lindas e maravilhosas. Ele,
de um jeito ou de outro, conseguira escapar." (p. 153)
"Ainda, como já se dissera dele
antes, nenhuma teoria da vida parecia, a ele, importante, quando comparada com
a própria vida. Sentia a consciência aguçada de quão estéril é toda a
especulação intelectual quando apartada da ação e do experimento. Sabia que os
sentidos, não menos que a alma, têm seus mistérios espirituais a revelar."
(p. 148)
"(...) pensava na ruína que
trouxera á própria alma, com uma pena que, de puro egoísmo, era ainda mais
dolorosa. Eram raros, porém, momentos tais. Aquela curiosidade a respeito da
vida, nele desperta, pela primeira vez, por Lorde Henry, quando sentados no
jardim do amigo comum, parecia aumentar em gratificação. Quanto mais conhecia,
tanto mais desejava conhecer. Assolavam-no fontes alucinantes que, à medida que
as alimentava, esfaimavam-se ainda mais." [...] o tipo que combinava a cultura
real do erudito, com toda a graça, distinção e os modos perfeitos de um cidadão
do mundo.” (p. 144)
“Assim como
Gautier, Dorian era alguém para quem “existia o mundo visível”. (p. 144)
“E, é claro, a
vida em si, para ele, era a primeira, a maior das artes, para a qual todas as
demais artes pareciam apenas uma preparação." (p. 144)
"Basil, tê-lo-ia ajudado a
resistir à influência de Lorde Henry, e às influências ainda mais venenosas
oriundas de seu próprio temperamento." (p. 134)
"A forma e a cor nos dizem da
forma e da cor, e só. A mim me parece, com freqüência, que a arte, muito mais
do que revelar o artista, o esconde de modo ainda mais categórico." (p.
130)
"Dorian desde o primeiro momento
em que o conheci, sua personalidade teve, sobre mim, uma influência
extraordinária. Fiquei dominado, alma, cérebro e energia, por você. Para mim,
você era a encarnação visível daquele ideal oculto cuja lembrança nos assedia,
na os artistas, como um sonho exótico. Idolatrarei você. Senti ciúmes das
pessoas com que você falava. Queria tê-lo todo para mim. Sentia-me feliz apenas
quando estava com você. E nas vezes em que Steve longe de mim, ainda assim
estava presente em minha arte... O que eu sabia, apenas, é que havia deparado,
frente a frente, com a perfeição, e que o mundo se havia se transformado, aos
meus olhos, num mundo maravilhoso.” (p. 129)
E fora tudo o
que deve ser arte: inconsciente, ideal e remota." (p. 129)
"Ser o espectador de nossa
própria vida é, como diz Harry, fugir ao sofrimento dela." (p. 125)
"Não fale de coisas horríveis. Se
não falarmos delas, deixam de ter acontecido. É a simples expressão, como diz
Harry, que dá realidade às coisas." (p. 122)
"Mas quem, que nada sabe da vida,
não se entregaria à oportunidade de permanecer sempre jovem, por mais que fosse
fantástica a oportunidade, por mais conseqüências fatídicas que
carregasse?" (p. 120)
"A partir do momento em que ela
tocou a vida real, estragou-a, e a vida a estragou, então ela se foi. (p. 118)
“- A vida tem
tudo guardado pra você, Dorian. Não há nada que você, com sua extraordinária
beleza, não possa fazer. – Mas suponha, Harry, que eu me torne macilento, velho
e enrugado. O que acontecerá? - Então, meu caro Dorian, você teria que lutar
por suas vitórias. Como as coisas estão postas, as vitórias vêm a você. Não,
você deve conservar sua beleza. Vivemos numa era que, por tanto ler, não pode
ser inteligente, e que, por muito pensar, não pode se bela." (p. 118)
"Mas, na verdade, Dorian, Sybil
Vane deve ter sido muito diferente de todas estas mulheres que encontramos por
aí. (...) Elas nos fazem acreditar na realidade das coisas com que todos temos
que jogar, como o romance, a paixão, o amor. - Eu fui muito cruel com ela. Já
se esqueceu? - Receio que as mulheres gostem de crueldade, da crueldade
sem-cerimônia, mais do que qualquer outra coisa. Possuem instintos primitivos
maravilhosos. Nós as emancipamos, mas elas, como escravas, seguem à procura de
seus donos. É tudo a mesma coisa. Adoram se dominadas.” (p. 117)
“Ela, na
verdade, nunca viveu e, portanto, nunca morreu." (p. 117)
"Além disso, o que mais deixa uma
mulher vaidosa é dizer a ela que é uma pecadora." (p. 116)
"Teria feito com que eu amasse o
amor pelo resto da minha vida.” (p. 115)
“Certa vez,
durante toda uma estação, usei violetas como forma de luto artístico por um
romance que não queria morrer. Mas, enfim, morreu, e não me lembro o que o
matou." (p. 115)
"Lembro de ouvi-lo dizer, um dia,
da fatalidade que envolve as boas decisões; quando as tomamos, já é tarde
demais. A minha, na certa, veio tardia."
(p.114)
"- Meu caro Dorian. O único modo
por que a mulher consegue reformar um homem é entediando-o ao máximo, até
fazê-lo perder todo o interesse na vida. Se você se tivesse casado com esta
mulher, estaria desgraçado. Claro, você a trataria bem. Sempre podemos ser
generosos para com pessoas a quem não ligamos nem um pouco. E ela logo
descobriria sua absoluta indiferença para com ela. E quando a mulher descobre
isto a respeito do marido, ou passa a andar esmolambada, ou, ou passa a usa
chapéus vistosos, adquiridos por maridos de outras mulheres." (p. 113)
"Matei-a, como se lhe tivesse
cortado a garganta com uma faca. E nem por isso as rosas estão menos bonitas.
No meu jardim, os pássaros continuam a cantar com a mesma felicidade. E hoje à
noite, vou jantar com você, depois irei a Ópera, e depois, creio, irei cear em
algum lugar. A vida é mesmo muito dramática! Se eu tivesse lido tudo isto num
livro, Harry, acho que teria chorado. Bem, mas agora que a coisa aconteceu de
fato, parece, a mim, maravilhosa demais para comportar lágrimas." (p.112)
"Aqui, não devemos debutar com
escândalos, devemos reservá-los para chamar a atenção sobre nós, quando envelhecemos"
(p.111)
"- Passei mesmo por isto. Mas
agora, estou bem feliz. Para começar, já sei o que é a consciência. Não é o que
você me disse que era. É a coisa mais divina que temos em nós. Não zombe. Nunca
mais, Harry... ao menos, na minha frente. Eu quero ser bom. Não suporto a idéia
de possuir uma alma repulsiva.
- Que base
artística, muito encantadora, pra a ética Dorian!" (p. 110)
"Uma coisa, porém, ele sentia, o
quadro fizera por ele. Fizera-o consciente de quão injusto, quão cruel, fora
para com Sibyl Vane. Mas ainda havia tempo para a reparação, e ela ainda
poderia ser sua esposa. Aquele amor irreal, egoísta, capitularia diante de
alguma influência superior, seria transformado em alguma paixão mais nobre, e o
retrato, pintado por Basil Hallward, seria, para ele, por toda a vida, um guia,
seria, para ele, o que o sacro é para uns, e a consciência, para outros, e o
temor a Deus, para todos nós. Existem opiatos para o remorso, drogas capazes de
acalentar ao sono o sentido moral. Eis um símbolo visível de degradação do
pecado. Eis um sinal onipresente da ruína que os homens trouxeram para suas
almas. (p.109)
“Há, na
auto-reprovação, uma certa suntuosidade. Quando nos acusamos, sentimos que
ninguém, mais tem o direito de acusar-nos. É a confissão, e não padre, que nos
dá a absolvição. Ao terminar a carta, Dorian já se sentia perdoado."
(p.109)
"Havia
uma conta meio salgada, de um estojo de toucador Luís Quinze, em prata
entalhada, que ainda não tivera a coragem de enviar aos tutores, pessoas
demasiado antiquadas, incapazes de perceber que vivemos numa era em que as
coisas desnecessárias são nossas únicas necessidades” (p.107)
"Logo que se vestiu, foi à biblioteca (...)"
(p.107)