"Sempre é e nunca vem a ser ou perece, nem cresce ou decresce, e não é belo em um sentido e feio em outro, nem belo em um momento e feio em outro, nem belo em relação a alguma coisa e feio em relação a alguma outra, nem belo em um lugar e feio em outro, como seria se fosse belo para uns e feio para outros..." Banquete, de Platão.
Amor idealizado
Numa visão popular, o Amor platônico é tido como o amor idealizado, inalcançável, vinculado a um amor espiritual. Vejo-o como metáfora do amor que leva ao conhecimento da verdade e da essência em correspondência ao mito da caverna e ao sistema filosófico de Platão que divide o mundo entre o sensível e o invisível. É um amor direcionado à Filosofia.
Descobrir o amor que vale a pena ser vivido é sair da caverna e descobrir a verdade, o real, o mundo invisível. É sair das amarras deste mundo de sombras (sensível), e, esta realização, é para iluminados. No Banquete, nem mesmo Sócrates seria capaz.
Platão defendia que o Verdadeiro Amor nunca deveria ser concretizado, pois quando se ama tende-se a cultuar a pessoa amada com as virtudes do que é perfeito. Quando esse amor é concretizado, não raro aparecem os nativos defeitos de caráter da pessoa amada. O amor é carente e busca no ser amado aquilo que sente falta ou não tem.
"E por ser filho o Amor de Recurso e da Pobreza foi esta a condição em que ele ficou. Primei-ramente ele é sempre pobre, e longe está de ser delicado e belo, como a maioria imagina, mas é duro, seco, descalço e sem lar. Sempre por terra e sem forro, deitando-se ao desabrigo, ás portas e nos caminhos, por que tem a natureza da mãe, sempre convivendo com a precisão. [...] ele é insidioso com o que é belo e bom, e corajoso, decidido e enérgico, caçador terrível, sempre a tecer maquinações..." Banquete. Platão
A idealização decorre dessa carência.
- Amor não é amor do belo, como pensas.
- O que é então?
- Da reprodução e da geração do belo
Banquete. Platão
Hegel, quase se apropriando do conceito do amor platônico como amor da carência, afirma que ela é parte constitutiva do ser que carece. É parte do amante.
Amor entre homens

Schopenhauer, em sua "Metafísica do amor", acusa o amor platônico de ser um amor somente entre homens e insuficiente para explicar a questão do amor em um sentido mais amplo. Sua conclusão é que o amor é fruto do impulso de vida na preservação da espécie humana.
Ainda, justamente por sua acepção homossexual, o Amor platônico, compreendido como algo elevado, ligado à alma e por não destinar-se a procriação é posto em contraposição ao amor socrático, que seria aquele referente à pederastia ou à atração erótica do mestre por seu discípulo.
No Banquete, das várias proposições para o amor apresentadas ali, quase todas enfatizam elementos homossexuais. Da proposição da origem da Afrodite Urânica, passando pela definição de Aristófanes sobre a alegoria dos corpos divididos tentando se reencontrar, ao fecho dado por Sócrates da lição de Miotia para a apreciação dos belos corpos dos jovens como percurso para apreciação futura do verdadeiro Belo ideal.
Platão nos dias de hoje
A era romântica é o auge do Amor platônico. A amada idealizada é pura, o coito é um absurdo. O amante morre sem nem tocar a pele da amada, sendo indigno de tamanha ventura!
Na contemporaneidade, apesar do pragmatismo do capitalismo, definindo até as relações amorosas, o sonho do amor dos contos de fadas ainda permeia nosso imaginário, principal-mente o feminino. Essa mistura de amor romântico/platônico com amor real traz uma discussão eterna sobre o que é o verdadeiro amor.
Vivemos uma "platonomania" em tempos de vampiros e lobisomens apaixonados, de Nicholas Sparks e seus contos de fadas modernos para mulheres adolescentes, sem falar da música emo "chorando" aos berros amores complicados e impossíveis em nossos ouvidos.
Mesmo na época da geração do "ficar" e dos amores líquidos, ainda encontramos espaço para o amor idealizadamente impossível. Platão nos é uma sombra.
É isso aí Edu...vc foi fundo!!!!!
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