segunda-feira, 2 de abril de 2012

Prometeu: conhecer não é salvar-se

Crédito da imagem: http://migre.me/fNq55


Na peça Prometeu Acorrentado, de Ésquilo, o autor conta a lenda grega do deus Prometeu (aquele que tem o dom da previsão). Na mitologia grega, Prometeu é o criador dos homens e responsável por doar aos mesmos o fogo, este que era uma dádiva exclusivamente divina, mas que se tornou indispensável à empreitada humana. Esta peça faz parte de uma trilogia que conta a história completa do deus que mais se importou com os homens. Na cultura helênica o fogo dado aos homens é mais do que a principal ferramenta humana é também símbolo do conhecimento, da engenhosidade, da esperteza, da sagacidade e da inteligência do homem. Pois, o que Prometeu oferece aos homens é mais que uma ferramenta, o fogo representa uma nova faculdade do homem, a capacidade de transformar as forças da natureza em benefício próprio, algo que até então, era exclusividade dos deuses.

Prometeu paga um preço pela sua audácia, por ter amado mais a sua criatura (homem) do que os seus semelhantes (deuses). Por causa disso ele é submetido a um castigo, de sofrimento repetido: o abutre que surge todos os dias para lhe devorar o fígado. Diante da angústia do castigo, Prometeu arrepende-se e amaldiçoa sua sorte, contudo está convicto de que foi julgado com demasiada severidade por Júpiter.

Lembro-me de termos discutido no último encontro que Prometeu mesmo sabendo o castigo que lhe seria imposto, pois tem o dom da previsão, segue firme em sua decisão de doar o fogo aos homens. Uma vez feita sua atitude é irrevogável e tudo o que ele pode esperar é o fim do castigo ou o perdão de Zeus. Para Prometeu, tamanho é o maravilhamento com sua criação (o homem) que ele não vê alternativa a não ser deixá-la perfeita e para isto busca nos céus divinos o incremento faltante ao homem: o fogo (conhecimento racional).

O principal ponto discutido no encontro foi sobre a real utilidade do conhecimento para a humanidade, pois o conhecer também traz sofrimento e angústia e não apenas livra os homens destas. O despertar da consciência não é livrar-se da condição humana pelo contrário, é ter senso dos próprios limites e grilhões, é um olhar mais atencioso para as próprias amarras. Em certo ponto da discussão foi dito que a sociedade só se sustenta porque há ignorância em seu meio, pois diante do livre arbítrio a racionalidade não oferece motivos suficientemente fortes para a coexistência pacífica entre os homens e neste caso o lado místico-religioso do homem seria o freio para que a humanidade não caísse na selvageria animalesca da barbaridade. Sendo assim a ignorância, e não apenas o conhecimento, sustentaria a sociedade.

Prometeu acorrentado é a imagem da condição humana: consciente de seus grilhões, porém sem poder para livra-se do sofrimento.

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