No Prometeu acorrentado de Ésquilo, o que talvez mais seja enfatizado é a questão da tirania de Zeus e o ato heróico de Prometeu em levar o fogo á humanidade, símbolo da ciência e da civilização. Prefiro enfatizar apenas uma das questões levantadas no último encontro. A relação entre conhecer e sofrer.
Pensar, conhecer, descobrir leva-nos inevitavelmente ao sofrimento?
Nós, efêmeros confrareiros, durante a discussão, ainda que intuitivamente e na base do “achismo”, não fugimos muito da concepção de dois grandes pensadores: Freud e Nietzsche.
Freud, em seu ensaio: A aquisição e o controle do fogo, ressalta que com a conquista da civilização, ou seja, o domínio do fogo, o homem passa a direcionar sua energia límbica (a do prazer) para os afazeres da tecnologia. Instala-se assim, em seu espírito, a melancolia, refreando este prazer.
Em O nascimento da tragédia, Nietzsche acha inevitável também este sofrimento, seu filósofo grego predileto, Heráclito, o verdadeiro filósofoprometéico, e que foi o primeiro a adotar o fogo como o símbolo do conhecimento e autoconhecimento, é, para ele, o grego mais iluminado e também o mais trágico, por ser o mais sábio.
Nietzsche atribui a si a alcunha de último filósofo dionisíaco, contrapondo o deus Dionísio (conhecimento, verdade) a Apolo (arte, irreal). O sofrimento para o homem é inevitável, a fuga está na arte em Apolo, este representa “os mais puros momentos de repouso do ser”.
Na alegoria da caverna de Platão, o herói, ao sair da caverna e ao descobrir o real, e, ainda que sabendo da animosidade que sofrerá ao retornar à caverna, vai ao encontro de seus pares para passar-lhes a boa nova. Já estamos entrando aqui em uma interpretação cristã?
A busca do real (da verdade e do conhecimento), estudado na epistemologia e na metafísica, talvez seja o primeiro grande tema da filosofia e que gostaria de continuar nos futuros encontros. Fica aqui a sugestão para uma outra conversa.
Bibliografia
FREUD, S. (1976a). A aquisição e o controle do fogo. In: S.Freud, edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. 22, pp. 223-233). Rio de Janeiro: Imago.
NIETZSCHE, Friedrich. O nascimento da tragédia. São Paulo: Companhia das Letras, 2000
GHIRALDELLI Jr., Paulo. Heráclito no Divã. In: Revista Discutindo Filosofia, ano 1, n.3. São Paulo: Escala Educacional.
http://tragica.org/artigos/02/03-clademir.pdf
http://revista.triplov.com/Salao_do_Folhetim/Raissa_Cavalcanti/Prometeu.htm
http://insurgentecoletivo.blogspot.com/2012/02/prometeu-pandora-e-o.htmlO conflito trágico entre arte e verdade no pensamento de
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