sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Sobre Prometeu: conhecer e sofrer

No Prometeu acorrentado de Ésquilo, o que talvez mais seja enfatizado é a questão da tirania de Zeus e o ato heróico de Prometeu em levar o fogo á humanidade, símbolo da ciência e da civilização. Prefiro enfatizar apenas uma das questões levantadas no último encontro. A relação entre conhecer e sofrer.

Pensar, conhecer, descobrir leva-nos inevitavelmente ao sofrimento?

Nós, efêmeros confrareiros, durante a discussão, ainda que intuitivamente e na base do “achismo”, não fugimos muito da concepção de dois grandes pensadores: Freud e Nietzsche.

Freud, em seu ensaio: A aquisição e o controle do fogo, ressalta que com a conquista da civilização, ou seja, o domínio do fogo, o homem passa a direcionar sua energia límbica (a do prazer) para os afazeres da tecnologia. Instala-se assim, em seu espírito, a melancolia, refreando este prazer.

Em O nascimento da tragédia, Nietzsche acha inevitável também este sofrimento, seu filósofo grego predileto, Heráclito, o verdadeiro filósofoprometéico, e que foi o primeiro a adotar o fogo como o símbolo do conhecimento e autoconhecimento, é, para ele, o grego mais iluminado e também o mais trágico, por ser o mais sábio.

Nietzsche atribui a si a alcunha de último filósofo dionisíaco, contrapondo o deus Dionísio (conhecimento, verdade) a Apolo (arte, irreal). O sofrimento para o homem é inevitável, a fuga está na arte em Apolo, este representa “os mais puros momentos de repouso do ser”.

Na alegoria da caverna de Platão, o herói, ao sair da caverna e ao descobrir o real, e, ainda que sabendo da animosidade que sofrerá ao retornar à caverna, vai ao encontro de seus pares para passar-lhes a boa nova. Já estamos entrando aqui em uma interpretação cristã?

 A busca do real (da verdade e do conhecimento), estudado na epistemologia e na metafísica, talvez seja o primeiro grande tema da filosofia e que gostaria de continuar nos futuros encontros. Fica aqui a sugestão para uma outra conversa.

Bibliografia
FREUD, S. (1976a). A aquisição e o controle do fogo. In: S.Freud, edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. 22, pp. 223-233). Rio de Janeiro: Imago.
NIETZSCHE, Friedrich. O nascimento da tragédia. São Paulo: Companhia das Letras, 2000
GHIRALDELLI Jr., Paulo. Heráclito no Divã. In: Revista Discutindo Filosofia, ano 1, n.3. São Paulo: Escala Educacional.
http://tragica.org/artigos/02/03-clademir.pdf
http://revista.triplov.com/Salao_do_Folhetim/Raissa_Cavalcanti/Prometeu.htm
http://insurgentecoletivo.blogspot.com/2012/02/prometeu-pandora-e-o.htmlO conflito trágico entre arte e verdade no pensamento de

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Oh, Prometeu!

Minha intenção era seguir a ordem das nossas discussões, porém, pensei melhor e decidi focar, primeiramente, na obra que serviu de estudo e, posteriormente, desenvolver uma reflexão de tudo o que conversamos. 

Não sou exímio conhecedor de mitologia grega, ou mesmo romana, mas o texto sugerido foi ótimo, pois, depois da leitura, pude ver algumas coisas que estavam obscuras para mim. 

Hoje me pergunto o quanto vale termos uma informação ou mesmo um conhecimento sobre alguma coisa se não podemos inferir. Saber por saber, será isso o que mais valeu ontem, vale hoje e valerá amanhã. Pensei bastante sobre algumas coisas que a Camila falou sobre conhecimento e informação. A Bia e o Edu, por serem bibliotecários como eu, devem ter ouvido muito a questão do "dado da informação" e do "conhecimento"; que dado estrutura torna-se informação e que a informação certa no momento certo gera o tal conhecimento, mas as indagações da Camila foram bem mais pertinentes. 

Temos que discernir sobre o que é necessário para cada momento. Devo saber o todo se apenas usarei parte? Talvez seja mais produtivo e eficaz você estar muito bem informado pontualmente do que ter todo um conhecimento que não agrega nada a você nem ao próximo. Saber qual é seu destino e não poder fazer nada para mudá-lo é o mesmo que não saber nada? De que adiantou Prometeu saber que tudo que ele fizesse teria um resultado se ele não poderia evitar ou mesmo mudar. 

Há menos de uma semana vi uma reportagem sobre o Japão. Estudos mostraram que nos próximos 4 anos é certo que Tóquio vai sofrer um abalo sísmico de um grau bastante elevado, e hoje a população já está simulando como serão os atendimentos aos feridos e o governo trabalha com uma estimativa de morte alta, milhares de mortos, mas se eles simplesmente deixassem por conta da natureza ao invés de milhares seriam milhões. Então essa é uma informação que você pode fazer algo para mudar, mesmo que você não consiga impedir o terremoto.

Eu ouvia muito, quando era menor, que o conhecimento seria algo que ninguém jamais tiraria de mim, que ele não pesa e nem ocupa espaço, certamente quem me dizia isso jamais repetiria isso nos dias de hoje. Tanto o nosso conhecimento, quanto o conhecimento que Prometeu possuía, só nos acorrenta mesmo. Ele sabia algo que lhe mantinha vivo, porém nada valia para ele se livrar do castigo. Hoje somos ansiosos por informação e conhecimento, pois temos a impressão de que isso vai nos libertar, mas não é o que acontece na verdade. O que fazer? Abster-se para não sofrer ou sofrer por não absorver? Prometeu rendeu!

Antes de discutirmos o texto em si, falamos de muitas coisas importantes que nos fizeram refletir muito. A Razão x Felicidade, Escuridão x Luz e também a questão do Poder. Falamos, ouvimos, falamos e falamos, e ouvimos e outras vezes quase não ouvimos de tanto que falamos, mas nas próximas reuniões falaremos e ouviremos na mesma intensidade se "Deus", olha eu me esquecendo de Deus, Ele também foi... de nossas discussões.

Desculpem-me pela falta de rigor acadêmico no texto, mas acho que dessa forma eu consegui me expressar melhor. Agora é com vocês. Comentem, critiquem, elogiem e principalmente escrevam o texto de vocês.